Para ser lido ao som de: Comptine d'un autre ete – Yann Tiersen
Não sei o porquê, mas toda vez que se aproxima o meu aniversário fico martelando N coisas na minha cabeça. E rodo, rodo, rodo e sempre paro em um texto que venho escrevendo há alguns anos, sempre nessa mesma época.
Também não me perguntem o motivo, mas esse texto se trata de uma carta de despedida, até por que não sei até quando estarei aqui com vocês, portanto nada mais justo de escrevê-la.
14/04/2008 – 14/04/2004 – 14/04/2010 – 14/04/2011
Testamento.
No dia em que eu partir, não quero choro nem vela.
Não quero chuva, nem flores.
Música fúnebre, cortejo e velório tradicionais?
-Jamais.
Não sei vocês, mas tenho uma visão tão diferente, pura e libertadora a respeito da morte, que acredito, surpreenderia até os mais elevados cristãos, ou ateus, ou puritanos.
Não quero luto!
Luto é uma mera formalidade desnecessária criada para apenas forjar algo que já não mais é. Ou que para alguns se transformou.
Não sei se será o fim ou uma nova jornada, não cabe a mim questionar ou discorrer sobre assuntos criados para amenizar a dor dos que ficam.
Cabe a mim ainda em vida, dar uma chacoalhada nesse povo que, só por um ente querido, um amigo, um pai, um irmão ter partido, não significa que o fim do mundo chegou.
Não quero fotografias, homenagens, mensagens de luto em redes sociais ou coisas do tipo.
Por favor, originalidade é tudo.
E é sobre originalidade que gostaria talvez ser lembrado.
Se for para lembrar de mim que seja pelo meu riso fácil e espontâneo, que seja pelas minhas chatices e teimosias sempre recorrentes. E o mais importante, quiçá essencial em minha vida (mesmo que às vezes, na grande maioria, me decepciono) é se doar e acreditar sempre no lado bom e humano das pessoas.
Aos meus pais:
Ahh os meus pais!! Não só meus nem tampouco dos meus irmãos. Pais de muita gente, dois seres com o coração sempre dispostos a acolher mais um. Mas para eles eu só peço uma coisa: VÃO VIVER! Ambos já se sacrificaram tanto pelos os outros, cada um de uma forma diferente.
Painho, você tirou a vida para o trabalho, para ser burro de carga, errando e acertando para o bem dos filhos, irmãos e até mesmo dos seus funcionários. Chegou o tempo de pensar em você. Apenas em você e obviamente em mainha. E por falar em mainha...
Mainha a base de toda a nossa família, uma mulher forte que como painho não aproveitou tudo o que a vida tinha (e ainda tem) a lhe oferecer...uma alma caridosa que se pudesse colocava toda a família (e mais alguns agregados) embaixo das asas e não largava mais. Desculpe por ser, entre os três, o que menos expresso o que sinto por ti. És para mim o significado da vida e só por ti continuo seguindo em busca de algo que um dia preencha o vazio que sinto.
Para vocês meus pais: VÃO CUIDAR DA VIDA DE VOCÊS...VÃO VIVER E SER FELIZES!!!
Aos meus irmãos:
Eu não preciso dizer absolutamente nada. Apenas que os amo. Mas não posso deixar de dizer que espero que um pouquinho dessa porra louca que fui, permaneça em vocês. Façam uma loucura vez por outra na vida, peguem um carro e saiam sem destino, vão para um bar e encham a cara sem se importarem com o amanhã ou com que as pessoas irão falar. Sejam felizes sem se moldarem ao que a sociedade pede.
Betinho: Vá a Pipa e acenda um baseado na Praia do Amor em um dia de Lua Cheia, ou não rs rs rs (Eu estarei lá)
Xuxa: Viaje, estude e acredite mais em você. O mundo estará aos seus pés é só você querer e acreditar um pouquinho mais em você.
Aos meus amigos:
Minha luz!
O que seria da minha vida sem eles?
Vou lhes contar como seria essa vida.
Literalmente seria uma vida em total preto e branco. Seca. Opaca.
Mas tive a sorte de conhecer pessoas magníficas que tiveram a proeza de colocar CORES e amenizar esse retrato.
Aos meus, só digo isso: Quando pensarem ou desejarem algo, vão lá e peguem!
Não deixem que suas vidas se transformem em uma grande roda gigante, em que nada muda e tudo se repete.
Fujam da rotina.
Mudem de bares, mas lembrem-se sempre, de perguntar o nome dos garçons, e mais ainda de comprarem seus cigarros.
Eu não estarei lá para mais um “semidão”.
Educação e caráter são para poucos. E sinceramente, eu sei que escolhi bem o meu gado. (Óbvio que no decorrer da minha vida me enganei com muitos, mas reconheci o meu erro).
Riam quando não puderem, chorem quando necessário e puder e também quando não puderem, não se envergonhem de demonstrar o que sentem, jamais!
Sorriam com a alma. Sei que os meus têm um coração e uma alma mais do que iluminada.
E, amem.
Amem muito sem se podarem. Quando acharem necessário (vocês nunca vão saber) se joguem de cabeça na relação, é só isso que nos torna humanos. Ou não!!??!! Mas lembrem-se, nunca deixe um amigo na mão. O verdadeiro amigo é aquele que esconde o seu sofrimento, a sua dor, para tentar ao máximo ajudar os seus.
E para quem sabe, os que considero, e que sempre chamei de AMIGO(A), EU OS AMO!!!
Infinitamente, vocês não têm noção do quanto. AMO MUITO!
Aos meus amores:
A vida me proporcionou pessoas das mais diversas estirpes e todas elas eu amei. Todas as pessoas que passaram por mim, carrego no meu coração várias lembranças.
Cicatrizes não tenho, não em relação a vocês. Mas todos... eu digo TODOS me fizeram crescer como pessoa e portanto estão em um lugar preservadinho dentro de mim.
Para vocês amores meus, continuem buscando a felicidade sempre!
Aos outros:
Os outros só são os outros né?
Mas não sei se tive inimigos ou desavenças, devo ter tido claro. Não sou santo. Mas enfim.
Mas para as pessoas que não conseguiram me tocar, que não conseguiram fazer parte do meu convívio e do meu círculo de amizade, talvez não tenha sido apenas culpa minha né??
Anyway.
Eu vim, curti e vivi.
Espero que façam o mesmo.
VIVAM INTENSAMENTE.
Deco Cavalcante.
Ps: Texto em contínua adaptação, enquanto houver vida!
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)
