Não sou cego digo, literalmente nem tampouco conheço ou tenho contato com algum cego, ou melhor falando, deficiente visual ou outro qualquer termo politicamente correto que está em alta.
Mas eu prefiro mesmo o termo: cego.
Bom, não sou cego (literalmente), mas sou cego como você, seu pai, sua namorada...como todos os outros. Existem inúmeros tipos de cegueira e queria ter sim “olhos” para identificar todas (pelo menos as minhas) e mudar essa realidade.
Sinto-me um cego quando fecho os olhos para as mazelas da vida, quando no momento em que escrevo esse texto muito confortavelmente na minha cama no meu amplo quarto e recordo-me de quantas e quantas pessoas não têm onde passar a noite.
Somos aqueles que vêem, mas preferem se passar por cegos.
Sou cego por não demonstrar o carinho e o amor necessário que sinto pelos meus pais, minha família. Quando vejo pessoas crianças e jovens beijando e abraçando seus pais como se fosse o último dia que os vissem...eu me sinto um cego.
Sou cego por fazer parte de uma sociedade vislumbrada que a cada dia que passa só pensa em mais e mais ter...
...por fazer parte de um grupo raso, fútil e seco.
Sou cego por esperar muito mais das pessoas quando na verdade elas são mesquinhas, egoístas, monopolizadoras, egocêntricas, mimadas e infantis.
Sou cego por ter um amor, por sentir esse amor pulsando no meu peito e não ter a coragem de acreditar e desbravar o breu e a névoa e ir à luta do que vejo e quero.
Sou cego por acreditar no melhor das pessoas.
Sou cego por querer mudar, buscar novas vidas, novos rumos e sempre me acovardar.
Sou cego por tentar dar o melhor de mim, ser o “super sincero” e ser criticado por isso.
Sou cego por conseguir enxergar além.
Sou cego porque vejo, identifico e conheço os meus defeitos...
...e os seus...
Sou cego...
E você?
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
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